DIRCEU VICTOR GOMES DE HOLLANDA - RECIFE-PERNAMBUCO, FOI PRESIDENTE DA CAERN
Engenheiro
Civil pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1958; Especialista em
Saneamento pela Universidade Federal do Ceará, em 1964.
Nascimento: Recife
(PE), 18 de dezembro de 1933
Falecimento: Natal
(RN), 22 de maio de 2000
Indicação: Conselho
Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (Crea-RN)
O engenheiro civil Dirceu Victor Gomes de Hollanda nasceu em Recife (PE), no bairro
de Casa Amarela. Filho do casal Joaquim Victor de Hollanda e Eulália Gomes de
Hollanda, teve dois irmãos mais novos: Daniel Geraldo Gomes de Hollanda,
arquiteto, ex-conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio
Grande do Norte (Crea-RN) e do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia
(Confea), e Décio Américo Gomes de Hollanda, economista.
O pai, Joaquim Victor, era artífice em Recife, onde executava
adornos em gesso para decoração de edificações, em especial forros, fachadas e
colunas. Em uma época em que havia poucos engenheiros no mercado regional,
atuou como mestre de obras ainda em Recife, construindo edificações
residenciais, mas foi na época da Segunda Guerra Mundial que se transferiu com
a família para Natal, onde realizou importantes obras. Assim começava a
primeira geração de engenheiros da família Hollanda.
Mesmo com
a grave limitação da visão, foi um aluno brilhante, com uma inteligência
diferenciada e uma formação sólida e conhecimentos abrangentes em áreas que
extrapolavam a Engenharia.
Portador de um problema congênito de visão, Dirceu Hollanda teve
de superar essa grave deficiência na infância, tendo sido alfabetizado
praticamente em casa, recebeu grande incentivo e ajuda de sua mãe Eulália (Dona
Lia). Essa adversidade fez com que Dirceu Hollanda desenvolvesse grande
habilidade para o autoaprendizado e para superação, o que contribuiu para ter
grandes êxitos nas suas atividades pessoais e profissionais. Mesmo com a grave
limitação da visão, foi um aluno brilhante, com uma inteligência diferenciada e
uma formação sólida e conhecimentos abrangentes em áreas que extrapolavam a
Engenharia.
Recém-graduado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE),
transferiu-se para o Rio Grande do Norte onde integrou os quadros de duas
importantes instituições no estado: o Departamento Nacional de Obras Contra as
Secas (Dnocs) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Manteve
vínculo com essas instituições até o seu falecimento, mas sempre com atividades
concomitantes nas demais áreas, principalmente na empresarial, onde executou
obras importantes, em especial pelas soluções inovadoras e tecnologicamente
relevantes para o desenvolvimento da engenharia em território potiguar, como o
primeiro edifício de 10 andares de Natal - Edifício 21 de Março; a construção
da Estação de Tratamento de Esgotos do Baldo; a construção das
passarelas de Neópolis e Mirassol, em concreto protendido; a Penitenciária
Agrícola de Mossoró; entre tantos outros empreendimentos.
Gomes de Hollanda foi um entusiasta em todas as atividades que
exerceu, dividindo-se entre a educação, o empresariado e as associações de
classe e sociais. Contudo, o filho Dirceu confessa que foi sempre em torno da
Engenharia Civil que a vida do pai orbitou. “Até a docência foi motivada pela
Engenharia”, esclarece. Em um interstício de menos de 10 anos, entre 1959 e
1966, fundou - na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) - a Escola
de Engenharia e o Instituto de Matemática. Na década de 70, presidiu o Crea Rio
Grande do Norte (1976 a 1978), sendo um dos responsáveis pela aquisição da
atual sede do Regional. Em 1978, foi conselheiro federal. Sobre o Sistema, o
filho e também engenheiro Dirceu Victor recorda com carinho que, quando
pequeno, acompanhou o pai em algumas Semanas Oficiais da Engenharia e da
Agronomia (Soea).
O filho conta que Dirceu Hollanda foi um marido e um pai de
muita presença, mantendo-se sempre como referência e centro agregador da
família. Casou-se com Margarida Monte de Hollanda com quem teve cinco filhos: a
engenheira civil Maria Suzete; Helenita; Sonja Magaly; o engenheiro civil
Dirceu Victor; e Fábio Luiz.
"Sua paixão pelo
conhecimento era impressionante. Sempre estava com um livro ou uma calculadora
à mão."
Dirceu conta que as maiores lembranças com o pai são ao som do
violão erudito “que tocava, muitas vezes, para nos acalmar na hora de dormir, e
nas reuniões de família aos finais de semana, sempre regada a música e muita
comida. Sua paixão pelo conhecimento era impressionante. Sempre estava com um
livro ou uma calculadora à mão. Até o final da vida, com a ajuda de
equipamentos potentes para auxiliá-lo na leitura, estudava física e
alemão.”
O Sistema Confea/Crea registra a sua homenagem a esse exemplo de
superação, que tanto fez pela Engenharia, pelo Rio Grande do Norte e pela
docência no decorrer de sua trajetória.
TRAJETÓRIA PROFISSIONAL
Fundador da Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN (1959); Fundador e primeiro diretor do Instituto de Matemática da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN (1966); Presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte - Caern (1970-1971); Presidente do Crea-RN (1976-1978); Conselheiro Federal do Confea (1978-1981); Professor titular do Departamento de Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN (1969), Engenheiro do Departamento Nacional de Obras contra a Seca - Dnocs (1959-1970); Engenheiro e fiscal avaliador da Caixa Econômica Federal no Rio Grande do Norte (década de 1970); Empresário da indústria da construção civil no Rio Grande do Norte (de 1970 até a sua morte).
FONTE - FIERN